Ao Infinito e Além
Cultura Livros Resenhas

Uma bebida e um amor sem gelo, por favor – Liliane Prata

“Marina não se acerta com namorados. Eles sempre acabam fugindo, sem dar explicações. O máximo que conseguiu foi um namoro de três meses com Gustavo, colega da agência de propaganda onde ela trabalha, e quando já estava pensando no vestido de noiva, pegou o “noivo” em flagrante com a nova estagiária. Foi uma decepção e tanto. Como se não bastasse, Juliana, com quem ela divide o apartamento onde mora, está de casamento marcado, e só fala nisso e, ainda por cima, Marina tem de fazer um anúncio para o dia dos namorados. Aos 24 anos, apesar de ser linda e maravilhosa, Marina está totalmente encalhada. Excluída da campanha de celular, da qual ela tanto queria participar, precisa fazer um anúncio para uma agência de encontros que tem um site a internet. Seu chefe sugere que ela entre em um chat , para conhecer mais sobre namoros virtuais . Assim, ela acaba conhecendo Rafa, que faz arquitetura. No começo ela resiste, mas acaba se apaixonando por ele. Quando finalmente se encontram, Marina tem uma grande surpresa, que a obriga a rever todos os seus conceitos e preconceitos. Ao ler esta história, que relata o cotidiano de uma jovem de classe média – seus sonhos, suas dúvidas, e seus problemas – escrita no estilo leve e divertido que já consagrou a jovem autora, não podemos deixar de pensar que o que importa, acima de tudo, é viver um grande e intenso amor. “

Foto: Reprodução/ Lelpanaceia

Sei que essa é minha primeira resenha por aqui e, por isso mesmo, é importante que eu explique algumas coisas. Primeiro ponto importante é que eu sou empolgada, e quando eu me empolgo com alguma coisa, sai da frente. Eu falo, falo, falo, cito, comento, escrevo, até dizer chega.Então não estranhem se as minhas resenhas acabarem parecendo grandes demais, é tudo resultado da empolgação. Segundo ponto importante é que eu sou totalmente do avesso. Os livros que eu costumo ler, em geral, não condizem muito com a minha idade e/ou com o que tá na moda. Tenho preguiça daquilo que todo mundo já sabe. Terceiro ponto importante… bom, acho que só coloquei mais um para ficar bonitinho, já que não consigo pensar em mais nada.

A escolha do primeiro livro foi bem fácil: queria escrever sobre alguma coisa que fosse marcar. Algum livro bom, gostoso de ler, mas que fosse meio underground ou com uma história nada convencional. Então me lembrei desse livro, que eu já tinha lido há algum tempo e que mostra de diversas formas uma quebra de preconceitos (da minha parte e também dentro da história).

Veja só: eu decidi que queria ser jornalista quando era pequena e lia Capricho. Mais especificamente, lia a coluna da Liliane Prata na Capricho. É! Ela era uma espécie de ídola maior para mim, a minha primeira “jornalista-modelo”. Só que, com o passar dos anos, deixei a revista de lado e, por consequência, a coluna dela. Quer dizer, ela escreve bem (muito!), tem umas tiradas interessantes, mas eu já não fazia parte do público dela.

Somado a isso, temos que e, num belo dia, quando o Orkut ainda estava em alta (R.I.P. Orkut!), encontrei uma comunidade que me encantou pelo nome: “Uma bebida e um amor sem gelo, por favor”. Daí até eu descobrir que isso, na verdade, era o título de um livro foram anos. (MUITOS!)

A associação entre os dois últimos parágrafos é simples: o livro supracitado é da jornalista já mencionada. E aí entra o primeiro dos preconceitos (que, nesse caso, foi mais um pré-conceito): Liliane Prata escreve para meninas de 12 anos e sabe conversar com elas; tem dois livros publicados para essa faixa etária (Diário de Debora e Diário de Débora 2); porque, oh Deus, eu me interessaria por algum livro dela, mesmo que o título fosse incrivelmente charmoso?

Simples! O livro não tem nada a ver com esse “estilo” convencionalmente atribuído a ela. “Uma bebida e um amor sem gelo, por favor” é um chick-lit diferente, de um ângulo pouco explorado (e, ouso dizer,  que deveria ser mais). A história conta com todos os ingredientes básicos de um desses livros que tanto vendem por aí, a diferença é que a mocinha não se apaixona pelo mocinho. Ela se apaixona por outra mocinha.

A protagonista, Marina, é uma publicitária que só se ferra em relacionamentos e está cansada desses casos de uma noite só. Ah, ela também não acredita nessa coisa de relacionamento via internet, até receber como incumbência a campanha de um site de encontros online. Não bastasse a encheção de saco provocada pela colega de apartamento e amiga, Juliana, agora até o chefe (Alexandre) quer que ela passe a entender melhor esse mundo.

E é quando ela conhece Rafa. Pela internet eles começam a conversar e a amizade vai se tornando um algo mais. Sim, Marina se apaixona pelo conhecido virtual. Sem saber que ele é, na verdade, ela.

Agora, pensa só: ela está toda derretidinha, não para de pensar no “cara”, chega lá e descobre que o Rafa não é Rafael e sim Rafaela. Marina fica brava, revoltada. Onde já se viu tamanha insanidade dessa menina? Mas, pensando bem…

Esse é a melhor parte da história, do livro de forma geral. A protagonista na verdade fica na defensiva e acredita que está analisando tudo da melhor forma, do ponto de vista hétero que lhe cabe. Sem notar que todos os chiliques, todos os ciúmes e conversas que ela têm, nada mais são porque ela, inconscientemente, quer dar uma chance para aquela pessoa – independente de ser homem ou mulher.

A história flui muito bem e o livro é pequeno, daquele tipo que se lê em uma tarde despretensiosa. E é nessa parte que o estilo de escrita da autora se manifesta. A personagem tem um estilo neurótico e hilário, insegura e me lembra muito os textos que a Tati Bernardi escreve. Os diálogos e as divagações fazem valer a leitura.

Não sei, não conheço muitas pessoas que já leram esse livro (na verdade, não conheço nenhuma #sad), mas pelo que conheço de meninas que gostam de meninas, esse é uma parte do mercado muito falha. Quer dizer, pensando bem, a liberdade que se tem hoje proporciona a meninas mais novas a possibilidade de conhecer melhor outras coisas. E aí acontece a coisa chata: muitas delas acabam tendo comportamentos iguais à da personagem porque não sabem como agir, o que fazer e o que pensar. Todos os livros só falam de meninos+meninas, não se estranha que pessoas comecem a se achar “anormais”. A literatura “lésbica”, por assim dizer, é direcionada a um público muito mais adulto e que, em geral, não trata desse lado mais inocente e quase juvenil (apesar de idades envolvidas).

Independente de orientação sexual, religião ou qualquer outro artifício sempre utilizado para justificar ponto infundados, esse é um livro que vale à pena ser lido. Acredite: não é porque você leu esse livro que você, automaticamente, vai se tornar lésbica. Precisa de muito mais do que isso!

Ah, só para não passar em branco. A história também me lembra muito de um dos meus filmes favoritos: Beijando Jéssica Stein. O enredo é bem parecido, mas ainda prefiro o enfoque dado no livro. (E, não, por mais que possa parecer, eu não contei o fim da história que, a quem possa interessar, tem um tom bem interessante, mas que não vou poder comentar porque isso pode acabar com toda a graça do livro).


ISBN-13: 9788527903974
ISBN-10: 8527903970
Ano: 2007 / Páginas: 168
Idioma: português 
Editora: Marco Zero

LIVRO FÍSICO:  Amazon | 

SKOOB | 

You Might Also Like...

8 Comments

  • Reply
    Thais
    19/04/2011 at 06:40

    Oba! Temos gente nova aqui no blog. Adorei o tipo de escrita dela.
    Nunca tinha visto nada sobre esse livro, o que tornou bem melhor!

    Boa sorte e seja Bem Vinda, Liz!!

    Bjinhos meninas!!!!!

  • Reply
    Fernanda
    19/04/2011 at 21:55

    Boa escrita.Seja bem vinda.
    Senti que vc estava sentada no chão com uma xícara de chá na mão me contando sobre o livro e sobre essa coisa toda enjoativa de “boy meets girl”,enquanto lia.
    Legal.
    Eu sei bem.Gosto de amores não-melados ou seriam ousados,e tenho até um conto parecido onde uma aluna de um internato do reino unido descobre que sua alma gêmea na verdade..é uma garota.
    Tenho interesse.E vc deu sorte de ter uma alguém quem admira escrever assim.
    Parabéns pela resenha!
    Bjos.

  • Reply
    Elana
    19/04/2011 at 22:22

    Olá! Bem vinda ao blog! rs

    Adorei a resenha e o jeito que você escreve!
    O livro parece ser bastante interessante, e, como você mesma disse, explora um universo que não é muito comum no mundo literário.
    E o título é realmente um charme! rs

    Beijosss

  • Reply
    Mare Soares ;
    19/04/2011 at 22:47

    Primira resenha de várias? 🙂

    Gostei da resenha e apesar de não gostar de chick-lit, diferentes ou não hahaha, me amarrei no título do livro!
    Mare Soares ; Postou em seu blog recentemente…10 Filmes que você precisa ver

  • Reply
    Vanessa
    20/04/2011 at 18:00

    Hey 😀
    Gostei bastante da resenha, ficou muito bacana. Mas acho que não leria o livro, não sei porque UAHSASUAHSU

    Beijos, Vanessa.
    This Adorable Thing

  • Reply
    Sanzinha
    21/04/2011 at 14:18

    Hey, Liz!

    Seja bem-vinda!
    Nossa, eu realmente nunca havia ouvido falar nesse livro. Já tinha ouvido a frase-título, mas nem sabia que tinha a ver com o livro e muito menos que tinha comunidade no orkut… rs.
    É mesmo um livro bem diferente que despertou minha curiosidade.
    Se eu encontrar, quero ler!

    Beijos!
    Sanzinha Postou em seu blog recentemente…Feliz Páscoa!

  • Reply
    It Cultura
    27/04/2011 at 22:40

    De início, pela capa e pelo título nada famoso, confesso que tive preconceito rsrs Pensei na hora “não faz meu estilo literário”. Mas bem, comecei a ler a resenha e vi vc falando que queria algo que marcasse. Então o livro tinha que ser bom, né?

    Enfim, adorei a resenha e acho que deve ser muito interessante mesmo, apesar de nunca ter ouvido falar. Ter ultrapassado essa linha que divide o “normal” (homem com mulher) foi uma jogada genial da autora.

    Bjs,
    Kel – It Cultura
    http://www.itcultura.com
    It Cultura Postou em seu blog recentemente…Resenha Apátrida

  • Reply
    Michelly Melo
    04/02/2012 at 11:06

    Adorei a resenha, parece ser um livro bem diferente e intessante de ler. Um beijo
    Michelly Melo Postou em seu blog recentemente…Saudade do que não volta mais…

Leave a Reply

CommentLuv badge

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.